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Conta-se que um dia, numa aldeia
de pescadores junto ao mar, um deles encontrou dentro duma
ostra, uma pérola branca e brilhante. Seu tamanho excedia as
das que outros pescadores acham de vez em quando, entre as
milhes de ostras que pescam do fundo do mar.
O pescador reuniu sua família,
mostrou a pérola e decidiram trazer um esperto para estimar
seu valor. Uma vez reunidos todos em torno à pérola, com o
esperto estudando-a com uma lupa, encontraram nela uma mancha
preta sobre sua superfície.
- É uma pérola certamente especial - disse o esperto. -
Mais esta mancha diminui seu valor. Eu poderia tentar tirá-la
se vocês quiserem. Ela terá um tamanho menor, mas acrescentará
seu valor.
Todos concordaram em fazer o
intento. O esperto começou a trabalhar com muito cuidado,
devagar, demorando quase uma hora. A tarefa não era fácil,
pois não só devia tirar a mancha mas também manter a
esfericidade da pérola.
A mancha sumiu, mais outra pequena
assomou em outro local. - Tente outra vez- pediu o pescador
ao esperto. O esperto recomeçou. A
segunda mancha também sumiu mas para surpresa de todos uma
terceira apareceu. E a pérola ia ficando cada vez mais
pequena.
O processo continuou até ficar uma
pérola muito diminuta, com uma também diminuta mancha. -
Já quase não posso trabalhar nela- afirmou o
esperto. _Tente uma última vez- disseram
todos. O esperto continuou com seu
trabalho, mas esta vez a pérola quebrou e se converteu em
areia. Os pescadores ficaram
tristes e tão pobres como antes de achá-la.
Nossas
amizades são como a pérola do conto. Valiosas mas imperfeitas,
por quanto são tão humanas como nós. Se buscamos nelas a
perfeição, se tentamos mudá-las à nossa conveniência o
simplesmente não as aceitamos como são, estaremos em risco
certo de perdê-las e ficar sozinhos.
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