|
|
Podem-se classificar os
refrigerantes como bebidas não-alcoólicas gasosas. Eles estão
compostos em grande parte, de água com gás (CO2) misturada com
açúcar ou adoçante artificial, além de varias outras
substâncias , algumas naturais e a maioria artificiais.
Entre essas outras substâncias
destacam-se:
- Aromatizantes e
extratos - que fornecem o sabor
- Acidulantes
- neutralizam a doçura do açúcar e ressaltam o sabor do
extrato
- Antioxidantes - evitam
a oxidação dos compostos aromáticos
- Conservantes
- mantêm estéril o líquido
- Estimulantes
- a maioria dos refrigerantes contém cafeína. Isto faz que
eles apresentem caraterísticas estimulantes, uma aparente
revitalização da energia física e mental, criando um
relaxamento do organismo, maior disposição para estudar,
trabalhar ou fazer esportes. Tudo isto de jeito artificioso
que pode inclusive prejudicar a saúde por promover um
esforço além dos limites naturais da pessoa.
- Corantes -
artificiar ou naturais
- Adoçantes -
como o açúcar, a sacarina, o ciclamato e o acesulfame-K.
Estes três últimos são estranhos ao organismo humano, não
produzindo energia e nem agindo como componentes estruturais
ou funcionais. Outro adoçante muito utilizado nas bebidas
"light" é o aspartame. Baseados em dados toxicológicos em
animais, a Comissão Conjunta para Aditivos da FDA/OMS
estabeleceu uma Ingestão Diária Aceitável (IDA) de 40
mg/kg/dia para o aspartame.
Muitos destes aditivos não só contribuem a aumentar a
durabilidade do produto mas também a disfarçar sua pobreza e
dar um bom aspecto.
Um pouco de história
Antes da segunda metade do século
XVIII não existiam os refrigerantes. As pessoas acostumavam
tomar águas minerais, sucos e "ponches" de frutas além das
bebidas alcoólicas. As águas minerais gasosas, precursoras das
bebidas carbonatadas, em particular os refrigerantes, vinham
de fontes naturais na Europa e contiam naturalmente os gases
que lhes davam a efervescência tão gostosa ao paladar. As
pessoas acreditavam também em que elas possuíam propriedades
terapêuticas.
As pesquisas foram direcionadas no
sentido de simular artificialmente o processo natural de
obtenção das águas minerais gasosas.
Um químico inglês de nome Joseph
Priestley conseguiu adicionar, em 1787, gás carbônico à água
obtendo assim a primeira água carbonatada artificial. O
período compreendido entre 1789 e 1821 assistiu a um
crescimento quantitativo de unidades produtoras no continente
europeu. Demonstrou-se que a solubilidade do CO2 aumenta com a
diminuição da temperatura (daí o termo posterior de
refrigerantes), associada a aumentos de pressão, área de
contato e agitação do sistema.
N. Paul, Gosse e Schweppe
conseguem na Inglaterra, criar um processo industrial pelo
qual alcançaram a "excelente marca de 40000 garrafas anuais" .
Assim, nos começos de século XIX, constata-se uma ampla
aceitação desse produto, maiormente pelos efeitos medicinais a
eles atribuído. Finalmente Joseph Priestley emigra para
América do Norte e estimula novas pesquisas com visão
comercial no sentido de aperfeiçoas o engarrafamento das águas
minerais. Em 1850,as estatísticas censitárias, registraram um
total de 64 plantas produtoras de água mineral. Para 1860 esse
número aumenta para 123.
Dez anos mais tarde, o
farmacêutico americano Towsend Speakman inventou adicionar
açúcar e sumos de frutas à água carbonatada, criando assim os
primeiros "refrigerantes" da história. Na década de 1870 o
censo americano contabiliza um total de 387 plantas de
engarrafamento, número que cresce enormemente para 8220
unidades produtoras em 1929 Logo da crise da bolsa desse ano,
as novas técnicas de marketing junto com novas embalagens,
sabores e formas de apresentação levam o consumo de
refrigerantes astronômicas (de 36 milhões de copos em 1850 a
72 bilhões em 1970 só na América do Norte).
O consumo de refrigerantes pelo
mundo inteiro tem-se acrescentado notavelmente nas últimas
décadas. O Brasil é o terceiro maior mercado de consumo de
refrigerantes do mundo, atrás dos Estados Unidos e do México.
No intervalo de 1993 a 2001, as vendas de refrigerante no
mercado brasileiro cresceram em média 10% ao ano.
Valor nutricional
Se observarmos as informações
presentes nos rótulos de algumas bebidas comercializadas no
Brasil e outros países, encontraríamos coisas como:
| Ingredientes: água, açúcar, 5% de sumo de
fruta, antioxidante, acidificantes, conservantes,
espessantes, etc. |
Observe-se que o conteúdo real de
sumo de fruta é quando muito a vigésima parte do que a bebida
pretende ser. A maioria deles traz pouco ou nenhum valor
nutritivo e um valor calórico alto, fornecendo o corpo de
"calorias inúteis" que só podem prejudicar a saúde tendo em
conta os riscos de criar obesidade e todos os problemas que
ela provoca.
Segundo o Journal of Pediatrics (
10/05/2005),"a obesidade é uma das maiores ameaças para a
saúde infantil. Genética, redução da atividade física, aumento
do tempo diante da televisão e consumo de fast-food são
fatores que têm levado a um aumento da obesidade infantil dos
EUA. O consumo excessivo de bebidas doces também pode ser um
fator chave."
Segundo algumas estatísticas " nos
EUA, por exemplo, os refrigerantes são duas vezes mais
consumidos que o leite e 5% das raparigas adolescentes bebem
mais de 3 latas por dia". Calcula-se que "10% a 15% das
crianças brasileiras sofrem de problemas de obesidade e que
elas são mais suscetíveis a terem problemas sérios de saúde
quando chegaram à fase adulta".
Aliás, a obesidade não è a única
fonte de preocupação relacionada com a ingestão de bebidas
refrigerantes. Outros problemas não menos graves associados
com o consumo excessivo de refrigerantes são:
- eles podem causar desequilíbrios nutricionais e falta de
apetite, ao se tornarem habituais. Eles terminam
substituindo bebidas saudáveis como leite, sucos naturais,
iogurtes, os que trazem inúmeros nutrientes essenciais ao
nosso organismo.
- pelo seu alto teor de açúcar, eles podem causar ou
resultar os principais responsáveis pelo aparecimento,
precoce e grave, da cárie dentária, especialmente nas
crianças. (Nas bebidas light, substitui-se o açúcar por
adoçantes artificiais, ou seja, diminui-se o valor calórico,
mas aumenta-se a quantidade de aditivos.)
- os especialistas observam também que o gás acrescentado
a essas bebidas produz certa distensão gástrica, inibindo o
apetite e irritando o estômago, provocando gases no aparelho
digestivo e sobrecarregando de trabalho os rins.
- um estudo recente publicado pela Revista "Arquivos de
Medicina Pediátrica e Adolescente" com crianças de 2 a 17
anos de idade mostrou que aquelas que fazem dos
refrigerantes sua principal bebida, apresentam deficiência
de vitamina A, cálcio e magnésio, nutrientes muito
importantes para o nosso organismo.
- aumenta o risco de fraturas ósseas nas adolescentes e as
pessoas propensas à osteoporose. A hipótese é que os altos
níveis de fósforo contidos nessas bebidas podem alterar o
balanço cálcio/fósforo, invertendo-o, com predomínio do
fósforo, o que impede a absorção do cálcio.
- A existência de estimulantes como a cafeína na
composição de refrigerantes (adicionada ou presente nas
bebidas de cola) pode causar certamente os mesmos efeitos
que a ingestão de café, é dizer, o risco de criar uma
dependência com conseqüências ruins para o organismo. Uma
lata de refrigerante de 350mL contendo 50mg de cafeína
significa para uma criança de 27Kg que a ingere, o mesmo que
para um homem de 80Kg consumir quatro copos de café.
O que fazer?
Eis algumas dicas:
- · Lembre-se que a água potável é o melhor líquido que
podemos oferecer ao nosso organismo. ·
- Sempre que for possível, substituia o consumo de
refrigerantes por sucos naturais produzidos na hora,
cuidando de não exagerar o uso do açúcar para adoçá-los. ·
- Evite que as crianças abusam dos refrigerantes antes e
durante as refeições. Seria melhor não acompanhá-las deles.
·
- Consuma refrigerantes com moderação. Não exagere na
quantidade consumida para não tirar a fome e substituir os
nutrientes importantes da dieta.
As
informações contidas neste artigo de jeito nenhum tentam
substituir o conselho médico profissional, quaisquer sejam os
sintomas, o diagnóstico ou o tratamento médico
indicado.
Versão para imprimir
|