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Quem tem a culpa? por Ladislao Kangyera
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As organizações estão compostas por
pessoas. As pessoas não são perfeitas. Elas cometem erros. Seja qual
for a atividade da empresa, quem exerce o mando vai enfrentar casos
em que a natureza imperfeita dos subordinados vai se manifestar
através de um erro.
"O pedido não foi atendido segundo os
procedimentos estabelecidos", "Esta nota fiscal está mau faturada",
"Como que você não terminou seu reporte a tempo?", "Estes cálculos
estão fora da realidade!", etc., etc.
A atividade dentro de uma empresa
consiste de processos, através dos quais o produto ou serviço vai se
criando. Cada processo tem seus atores (subordinados) e os
responsáveis pelo controle dele (supervisores). Pode-se dizer a
mesma coisa sobre qualquer empreendimento humano. As vezes os
processos não dão os resultados previstos o desejados. As metas não
são atingidas.
Qual é a reação que deveria um
supervisor ou líder adotar frente a um erro ou inclusive um
fracasso. É comum ouvir nesses casos frases como : "Quem foi?",
"Quem tem a culpa?" , "A próxima vez que ..." Pareceria que a
solução do problema leva implícita a necessidade de punir alguém.
Naturalmente se o erro foi fruto da negligência ou foi diretamente
um ato de sabotagem , devem-se tomar medidas disciplinares
apropriadas. Mas na maioria dos casos os erros são resultado da
imperfeição humana (inexperiência, cansaço, falta de treino ou
coordenação, etc.).
Nas técnicas modernas de administração
de recursos humanos a tendência não passa por culpar as pessoas mas
por corrigir os processos ou o relacionamento do trabalhador com seu
trabalho. Assumir que as pessoas se equivocam e que têm a disposição
de fazer as coisas bem é mais importante que se sentir poderoso no
exercício do mando. Em lugar de perguntar : "Quem é o culpável?" é
mais vantajoso perguntar "Qual foi o problema?", "Como podemos
solucioná-lo?", "Que faremos para melhorar o processo?", e permitir
que os próprios envolvidos nele sugiram as mudanças ou as soluções.
Esta forma de supervisar tem muitas
vantagens:
- Cria uma boa disposição no funcionário para se superar e
trabalhar pelo sucesso.
- Acrescenta o compromisso dos funcionários.
- Alivia possíveis tensões entre mandos e subordinados.
- Ajuda a criar um ambiente de criatividade que predispõe a
elevar a produtividade.
- Contribui a uma melhora continua dos processos envolvidos na
atividade em particular, permitindo superar erros e evitando a sua
repetição.
Estas considerações podem se aplicar em
outros ambientes de relacionamento entre pessoas além do local de
trabalho. Elas podem tirar das pessoas todo seu potencial disponível
na medida que favorecem o crescimento da sua auto-estima.
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